Tenho recebido muitos emails de
leitores confusos com o final de “
A Batalha do Apocalipse”. Há alguns anos este mesmo assunto surgiu num tópico da
nossa comunidade do Orkut, e eu escrevi um texto para tentar
esclarecer a minha visão sobre o desfecho da obra.
Reproduzo aqui o trecho. Fiquem à vontade para
debater nos comentários ou na comunidade. Ah, e
CUIDADO! Não continue se você ainda não terminou de ler ABdA.
A seguir, puro SPOILER.
CUIDADO: SPOILER!!!!
É curioso que as pessoas me perguntam mais sobre isso do que sobre qualquer outra coisa, buscando respostas para a pergunta: "
Até quando eles voltaram a Roda do Tempo".
Mas a verdade é que o objetivo desta parte é
justamente não deixar a coisa clara. É como o
final do Matrix 1, em que a continuação fica a
critério do público (por isso acho os Matrix 2 e 3 desnecessários... melhor seria se não houvesse seqüências).
Por um lado, deixar um
final em aberto gera estranheza e revolta; por outro, dá ao leitor a possibilidade de
criar seu (s) próprio (s) final (is) e interagir mais com esse universo.
Eu, particularmente, sempre gostei dessas coisas. Meu ritmo de leitura sempre foi lento porque gosto de “viajar” e
interagir com a história, pensar no que eu faria se eu fosse o autor do livro, e quais
soluções arrumaria.
E esse é precisamente o espírito do final de "ABdA". É para você especular mesmo, pensar em algo legal, seu, porque
não existe uma resposta exata para a pergunta.
LIVRE-ARBÍTRIO
A ideia central da obra é a
questão do livre-arbítrio, tema que é colocado intensamente nas três partes. O romance fala sobre essa ideia de que
cada um de nós construímos o nosso destino, da primeira à última página. O
diálogo entre Ablon e Gabriel, em especial, é o mais significativo neste ponto.
Assim, tentei fazer, no final,
algo coerente. A história fecha, mas
deixa a bola nas nossas mãos, seres humanos, que somos os
únicos que podem mudar o mundo. Essa é a
mensagem do livro em branco, no final. Cada um constrói o seu próprio caminho. Se não houvesse aquele final, a obra toda simplesmente não teria sentido.
Dar uma resposta clara seria contrariar o que foi exposto durante toda a narrativa. Gabriel diz a Ablon que homens e anjos se alimentam da utopia que seria a existência de Deus, enquanto
Deus está, na verdade, dentro de nós. Só nós mesmos podemos reger o nosso futuro. Às vezes isso irrita. Às vezes é desagradável, em nossas vidas, sermos obrigados a fazer certas escolhas. Mas
é assim que a vida é.
Da mesma forma, eu, como autor, não podia dar essa resposta. É cada leitor que deve encontrá-la. Este é o simbolismo do epílogo de "A Batalha do Apocalipse" ;-)
LINKS
»
Quer saber mais? Acompanhe a discussão no Orkut
»
Tutorial: Como ler “A Batalha do Apocalipse”
»
Comunidade no Orkut
»
Página de discussão no Skoob