sexta-feira, 10 de julho de 2009

A chave para Praga: a última fronteira comunista

Assista à primeira parte do vídeo aqui

No início de 2008, quando comecei a planejar a minha viagem à Europa, me deparei com um impasse: qual país deveria escolher? Como não tinha muito dinheiro, optei por me hospedar em albergues e hotéis baratos, porque só assim seria capaz de visitar mais de um país numa mesma “aventura”.

Desde a primeira vez que estive no Velho Continente, sempre ouvia as pessoas falando de Praga. E eu pensava: por que? Por que a capital da República Tcheca desperta tanto fascínio e atrai tantos turistas - europeus e do resto do mundo?

Eu e Afonso Tresdê. Ao fundo, a famosa Ponte Carlos.

Pouca gente sabe, mas Praga sobreviveu quase intacta aos pesados bombardeios que assolaram a Europa durante a II Guerra Mundial. Isso significa que praticamente tudo o que você vê lá é original: castelos, pontes, igrejas, praças.

Além disso, a então Tchecoslováquia foi, durante toda a Guerra Fria, um dos poucos países sob influência comunista que recebia visitantes ocidentais com relativa flexibilidade. Praga era a porta de entrada para o Leste Europeu, a última fronteira entre o mundo capitalista e as repúblicas da Cortina de Ferro.


Fachada do Museu Nacional, na Praça São Venceslau (Cidade Nova)

Outra coisa que me influenciou na decisão de conhecer a República Tcheca foi a presença do nosso amigo Afonso Tresdê. Trocamos alguns emails e ele me convenceu a encontrá-lo lá, prometendo me receber no aeroporto – não importa o estado mental ou físico que estivesse.

Foi por isso que, na manhã de 20 de junho de 2008, eu tomei um avião em Amsterdã, onde estava, com destino à terra da cerveja e das marionetes.

ATRAÇÕES NERDS EM PRAGA

Ficar aqui relatando cada atração turística de Praga seria perda de tempo. Primeiro, porque este não é um blog de turismo; segundo, porque você pode achar facilmente essas informações em qualquer lugar. Ao invés disso, prefiro falar sobre algumas experiências e lugares de interesse nerd na cidade.

Cerveja – Se você gosta de uma cerva (tudo bem, isso não tem nada de nerd), esse é o lugar. Praga fica na região geográfica conhecida como Boêmia, famosa por suas bebidas fermentadas. A primeira coisa que o Tresdê me ensinou ao chegar na cidade foi a palavra “beer point”. Centenas de quiosques com louras geladas se espalham pelas ruas da capital. Minha dica: procure a “kozel”, cerveja avermelhada. Deliciosa!

Albergues – Os albergues em Praga não são lá muito bons, mas dão para o gasto se você não for muito exigente e só quiser uma cama para dormir. Mas prepare-se: eles não servem café da manhã. Se estiver viajando a dois, prefira um hotel.

O lado curioso foi que consegui em um quarto enorme. Embora quente e barulhento, era o típico cômodo no estilo soviético: construtivista, com pé direito alto e longas janelas com armação de aço, ocupando toda a parede. Pena que não tirei foto.

Cultura soviética – Outra dica bacana é reparar como a influência soviética continua latente em muitos aspectos da cultura tcheca. Praga é uma cidade bem preparada para receber turistas, então você não terá problemas para conversar em inglês com funcionários de bares, hotéis ou museus. Mas ao sair um pouco do centro histórico, é normal encontrar restaurantes e lojas onde ninguém fala uma palavra de inglês, especialmente as pessoas com mais de 40 anos.

Igreja de São Nicolau, na Praça da Cidade Velha.

Além disso, a famosa rispidez russa também é uma realidade aqui. Não que os tchecos sejam mal-educados, mas como nós, brasileiros, temos um comportamento mais expansivo, esta característica local se sobressai (e pode até assustar).

Arquitetura – Não sou nenhum expert em arquitetura. Na verdade, entendo pouco. Mas mesmo um leigo não pode deixar de notar a riqueza e a miscelânea arquitetônica de Praga. Torres góticas convivem lado a lado com igrejas barrocas; palácios renascentistas rivalizam com prédios em art noveau; casas cubistas dividem espaço com pontes românicas.


Relógio da Cidade Velha – Uma das principais atrações de Praga é o relógio da Cidade Velha. Muitas cidades da Europa têm relógios em torres, mas este ficou conhecido por ser o mais belo e perfeito da Boêmia, tanto que, segundo a lenda, os governantes do século XV cegaram o relojoeiro-mestre para que ele não reproduzisse sua obra em outra cidade. O mecanismo conta ainda com um peculiar relógio astronômico, com números arábicos, marcando as órbitas do sol e da lua em torno da Terra.

Teatro Nacional – A elite artística e intelectual sempre foi muito atuante em Praga. Na verdade, foi ela que ajudou a cidade a ser um lugar mais brando durante a Guerra Fria. Praga é a cidade dos teatros, das óperas. Mesmo que você não entenda tcheco, vale a pena assistir a uma peça, ópera ou concerto no Teatro Nacional, ou em qualquer outra casa de espetáculos da região.

Castelo de Praga – O Castelo de Praga não é só um castelo, nem mesmo uma cidadela. É um bairro localizado no ponto mais elevado da cidade. Aqui você vai encontrar, além do castelo em si, várias igrejas, museus, torres, palácios e a Catedral de São Vito. Atenção para o detalhe nerd: a Viela Dourada conta com uma loja que vende (a preços acessíveis) armas medievais, armaduras e action figures de fantasia (cavaleiros, orcs, dragões). Coisa pra enlouquecer qualquer um.

Mosteiro Strahov Ainda no morro do castelo, este mosteiro é um oásis nerd. Ele escapou da extinção em 1783 convertendo-se em um centro de estudos. Aqui estão exemplares de animais bizarros e híbridos (ninguém sabe se são reais ou uma farsa). Além disso, a Sala de Filosofia abriga o mais antigo livro do país, um fac-símile do século IX.

Teatro Negro e marionetes – Praga é também a cidade das marionetes (vendidas em toda parte como souvenir) e do Teatro Negro de Praga, no qual atores maquiados de preto movem objetos contra um fundo escuro, sem serem vistos.

Bairro Judeu – A comunidade judaica sempre foi muito forte em Praga. O Cemitério Judeu é passeio obrigatório, mas duas sinagogas contam com detalhes interessantes. Uma lenda conta que há um golem escondido no telhado da sinagoga Staronová. No século XVI, o rabino Low teria dado vida à criatura por magia, mas a teria inutilizado quando o mostro revelou fúria destruidora.

Pedras sobre os túmulos no Cemitério Judeu: tradição

Já a sinagoga Maisel expõe inigualáveis joias e relíquias israelitas – curiosamente levadas para lá pelos nazistas, durante a ocupação. A intenção dos alemães era (pasmem) criar um museu dedicado ao “povo extinto”.

Parques – Nenhum turista vem ao Brasil sem ir à praia. Assim como nenhum turista deve ir a Praga sem conhecer os muitos parques que cercam a cidade. Numa tarde de verão, esses são os lugares mais agradáveis de estar, onde você pode relaxar na grama, tomar sol e saborear a melhor cerveja do mundo.

Próxima parada, Constantinopla – Ao fim de quatro dias em Praga, parti novamente para o aeroporto, desta vez para tomar um avião para a Turquia e encarar o destino final da minha aventura: a misteriosa cidade de Istambul, a antiga capital do Império Bizantino no ponto mais oriental da Europa... Mas essa jornada fica para um próximo post :-)

QUER SABER MAIS SOBRE PRAGA?

Visite os sites:

» CzechTurism.com (em português)
» Prague.cz (oficial, em inglês)
» Localize Praga no Google Maps

sábado, 4 de julho de 2009

Dicas para mestres e jogadores de RPG

Concepção visual do artista Keith Parkinson

Há quase 10 anos, quando eu trabalhava no site Aqui, a revista eletrônica do buscador Cadê, escrevia quinzenalmente uma coluna de RPG. Na época, eu jogava bem mais do que hoje em dia, e tinha muito material próprio arquivado.

Quando a StarMedia (que controlava o Cadê) faliu, todas as páginas acabaram saindo do ar e eu achei que perderia as minhas colunas para sempre. Mas, para minha surpresa, navegando na internet, encontrei o site do designer e amigo Jacques Chueke, que era então responsável pela diagramação das páginas.

No website, o Jacques publicou algumas colunas, na seção de portifólio. Resultado: alguns dos meus artigos então de volta online!

Como eu sei que muita gente que lê este blog também joga RPG, resolvi indicar aqui duas matérias. Uma delas contém dicas para mestres; outra dá sugestões para jogadores, desde a criação de personagem até a interpretação.

Para visualizar, é só clicar nos links abaixo. Espero que seja útil!

» Dicas para o Mestre - o seu manual de sobrevivência
» Dicas de Jogador – como tornar o jogo mais agradável

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Afonso3d e eu em Praga, julho de 2008

Em julho de 2008 fiz uma viagem pela Europa e, depois de uma passagem pela legendária Amsterdã, voei para Praga, capital da República Tcheca, onde fui recebido já no aeroporto pelo nosso querido Afonso 3D.

Com um hálito que chegava longe e misturava cerveja e café (acreditem, isso é possível), 3D me guiou pelos principais pontos turísticos da cidade, culminando em um parque no alto de Cidade Velha.

Editei um primeiro vídeo, tosco, como experiência. Se a atração agradar, talvez eu edite mais alguns aqui. Ainda estou tateando para achar um formato legal. Aceito sugestões. A quem interessar possa, tenho usado o Sony Vegas.

» Leia mais sobre a cidade de Praga
» Localize Praga no Google Maps, aqui
» Localize a Praça São Venceslau no mapa

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Os arquétipos no NerdCast #166

STAR WARS


SENHOR DOS ANÉIS


STAR TREK

Não entendeu nada? Visite o site Jovem Nerd e escute o Nerdcast #166.

Bastidores do NerdCast #166 - O Império Contra-Ataca: Baseado em fatos reais!

Clique para aumentar a imagem

Para quem não entendeu a piada, eu explico: a edição #166 do NerdCast foi gravada na noite de sexta-feira, 12 de junho: em pleno Dia dos Namorados!!!

No sábado, visitei o blog do Guilherme Briggs (Teatro dos Bonecos) e tive essa idéia. A imagem está tosca, mas valeu a intenção :-)

Em seguida, mandei esta montagem por email para os participantes do programa. O Briggs se empolgou e também resolveu entrar na dança. Olha só o resultado abaixo.

Clique aqui para ver a imagem ampliada

Pois é, gente... quem brinca com fogo faz xixi na cama. Fui desafiar o Guilherme Briggs, deu nisso. Acabei levando uma trolhada!!! O cara é fera ;-)

Espero que gostem do NerdCast #166 - O Império Contra-Ataca. Para escutar, acesse aqui.

» Visite o blog de Guilherme Briggs

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Conspiração envolvendo o sumiço
do Boeing 707 da Varig (1979)

MiG-25, mesmo caça comandado pelo piloto russo desertor.

A tragédia do voo AF 447 da Air France chocou, comoveu e assustou muita gente. Não é para menos. Ainda sem causa definida, ninguém sabe ao certo o que fez o Airbus A-330 despencar sobre o oceano Atlântico, no dia 31 de março.

» Confira algumas imagens do resgate

Acidentes (e incidentes) sem motivos esclarecidos não são assim tão raros nos anais da aviação comercial. Provavelmente o mais célebre da história brasileira é o caso do cargueiro 707-323 da Varig, que desapareceu no Pacífico no dia 30 de janeiro de 1979 e nunca mais foi encontrado.

Por anos escutei falar sobre esse incidente em almoços de família, e basicamente há duas versões para o caso: a “séria” e a “conspiratória”.

Os pilotos de verdade nem cogitam as loucas hipóteses de discos voadores ou coisa do tipo. Eles são unânimes em afirmar que o que provavelmente aconteceu foi uma despressurização da cabine, o que teria deixado a tripulação desacordada. O avião teria, então, voado sem destino por vários quilômetros, até despencar em um ponto não determinado do oceano Pacífico.

Vale lembrar que, naquela época, os sistemas de radares não cobriam áreas tão extensas como hoje e a função do piloto automático era mais precária, embora não deficiente.

Mas o caso, como ficou sem explicação, abriu espaço para muitas especulações e teorias. Dentre elas, a mais conhecida e coerente é a seguinte.

Boeing 707 da Varig.

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO – 707 VARIG

Em 1976, o piloto soviético Viktor Ivanovich Belenko desertou da URSS, decolando de uma base na Sibéria com seu um MiG-25 de última geração (na época) e pousando em um aeroporto civil de Hakodate, no Japão.

O caça russo teria, então, sido estudado pelos estadunidenses, desmontado e preparado para ser mandado para os Estados Unidos, onde passaria por análises mais rigorosas. As peças desse MiG teriam, portando, sido embarcadas no cargueiro da Varig, que seguiria para o Rio de Janeiro, com escala (adivinha onde?) em território americano.

Daí em diante, há várias versões conspiratórias para o que poderia ter ocorrido ao Boeing. Uma delas sustenta que a aeronave fora abatida por jatos soviéticos, depois que a KGB descobriu a natureza da carga. Outra vai no sentido contrário e afirma que a tripulação chefiada pelo comandante Gilberto Araújo da Silva teria desembarcado nos Estados Unidos, e lá ficado.

Algumas curiosidades. O cargueiro também transportava quadros do artista japonês naturalizado brasileiro Manabu Mabe, avaliados em cerca de R$ 2 milhões.

O primeiro oficial do voo, Erny Peixoto Myllius, havia morado em Los Angeles a serviço da Varig, cidade base da companhia para pilotos que transportavam os aviões em trajetos ao Japão – isso num tempo em que nenhum piloto brasileiro queria aceitar este chamado “baseamento”.

E, por fim, o dado mais entranho. O comandante Gilberto foi o mesmo que sobrevivera a um dos acidentes mais impressionantes envolvendo uma empresa de bandeira brasileira: em 1973, ele realizou um pouso forçado em uma plantação de repolhos perto de Paris, depois que um incêndio no banheiro encheu o avião de fumaça.

O resultado foi contabilizado em 123 mortes. Apenas um passageiro e os 10 tripulantes sobreviveram.

QUER SABER MAIS?

» Leia sobre o piloto soviético Viktor Ivanovich Belenko
» Mais detalhes sobre o voo da Varig que desapareceu
» Escute o NerdCast 'Profissão Aviador', no site JN

domingo, 17 de maio de 2009

Wolverine x Star Trek – contém spoilers!

No início do mês, dois longa-metragens mega nerds deram as caras no cinema. Primeiro surgiu o nosso estimado mutante Logan, com suas garras afiadas e personalidade pouco agradável. Na seqüência, foi a vez de ‘Star Trek’, dirigido pelo cineasta mais geek do momento, J.J. Abrams.

Wolverine’ saiu e ainda está na frente nas bilheterias americana, britânica e brasileira. A comunidade nerd, entretanto, e os fãs de quadrinhos em geral, fizeram críticas pesadas à produção estrelada por Hugh Jackman, e elogios rasgados à nova aventura da Enterprise.

A minha opinião, acreditem, está mais alinhada ao mainstream. E justamente por ter tido uma percepção diferente à dos colegas nerds, decidi escrever este post. Afinal, sempre acreditei que essa é a função primária dos blogs: ser um espaço democrático em que cada um pode mostrar a sua visão, abrindo o assunto ao debate.

Antes de tudo, quero deixar claro que minha intenção não é desrespeitar opiniões diferentes e muito menos polemizar. Nunca fui um sujeito polêmico e não vejo motivo para tal. Aliás, penso que a maioria (não todos) daqueles que gostam de gerar polêmica o fazem porque não são capazes de aparecer pelo próprio talento. É lógico que há exceções.

Bem, vamos aos filmes. Lembre-se: CONTÉM SPOILERS!

X-MEN ORIGENS: WOLVERINE

De início, eu nem queria assistir ‘Wolverine’. Falaram tão mal que eu estava disposto a evitar as salas a todo custo. Mas num sábado de ócio, logo na estreia, acabei me rendendo e fui ao cinema.

Confesso que não guardava grandes expectativas, já que nunca havia lido um só quadrinho solo do Wolverine. Conhecia ele por meio das revistas dos X-Men, do desenho animado dos anos 90 e dos filmes.

O que eu esperava quando as luzes se apagaram era nada mais do que pancadaria, ação e a aparição especial de vários heróis, mesmo que rapidamente, que fizeram parte do passado de Logan. E foi EXATAMENTE isso o que eu encontrei!

Como jornalista e escritor, sei como é importante trabalhar um bom roteiro. Mas algumas vezes você simplesmente prefere (ou necessita) desligar o seu cérebro e ingressar por duas horas em um mundo de porradaria insana. O resultado é um filme divertidíssimo, que te gruda na cadeira do início ao fim e quase não te dá chance de respirar.

Entenda que, nesse tipo de blockbuster, você não pode se preocupar muito se o roteiro tem furos ou incoerências. É a filosofia “Indiana Jones 4: o cara se tranca numa geladeira e resiste a uma bomba nuclear. Incoerente? Sim, mas quem se preocupa?

Hugh Jackman x Batman

O ponto alto é definitivamente a atuação de Hugh Jackman. Ele rouba a cena e cria um personagem tão forte que eclipsa tanto coadjuvantes quanto vilões.

O Wolverine de ‘Origens’ é certamente o super-herói mais bacana e durão do cinema atual, fazendo Batman de ‘Dark Night’ parecer uma moça. Ao explodir o helicóptero e matar o Agente Zero a sangue frio, Gavin Hood (diretor) faz o que nem o psicótico Homem-Morcego teve coragem de fazer em ‘O Cavaleiro das Trevas’.

É fato que a ação atropela o roteiro, e esse detalhe foi o que fez muita gente detestar ‘Wolverine’. Mas é possível, sim, tomar isso como uma coisa boa. Uma cena emblemática é a luta entre Wolvie e Blob. É claro que haveria muitas outras maneiras de Logan conseguir a informação que procurava. Mas qual, em um filme de ação como esse, seria melhor do que entrar no ringue e partir para a briga?

Aos que ainda não assistiram, a dica é essa: preparem-se para ver muita pancadaria, aventura e ação. Aos que já assistiram e não gostaram, recomendo revisitarem a obra quando sair em DVD, com uma nova mentalidade. Aos que, como eu, assistiram e gostaram, fico feliz que tentam saído satisfeitos do cinema.

» Fotos da coletiva de imprensa com Hugh Jackman, no Rio

STAR TREK

Se você é um espectador comum, primeiro entenda o seguinte. Eu sou um fã chato de Star Trek, e às vezes até um pouco radical (olha o Kirk aí no header). Isso quer dizer que não sou parâmetro para o público em geral. Continue lendo por sua conta e risco.

Analisando friamente, Star Trek é um bom filme, não tem como negar. Se você não é fã antigo, provavelmente vai adorar. Mas para um fanático pela série clássica, como eu, a produção decepciona, por vários motivos.

Agora vem uma opinião muito particular: não engoli até agora a premissa. Fui ao cinema esperando ver os personagens que aprendi a gostar, e no entanto me deparei com uma tripulação “alternativa”, de um universo paralelo, onde eventos que por anos consideramos como certos simplesmente não aconteceram. Novamente: tudo é expectativa.

Os entusiastas que me desculpem, mas para quem passou décadas com a imagem lógica, fria e calculista de Leonard Nimoy é um pouco difícil aceitar um Spock raivoso, impulsivo e apaixonado (???). Além disso, a destruição de Vulcano é um sacrilégio.

Coincidências e incoerências

A bizarra série de coincidências no roteiro também incomoda. Tudo acontece muito rápido, sem explicação. Numa nave com 500 pessoas, o único apto a comandar a Enterprise era logo o jovem Kirk, que passava por problemas na frota e entrou de gaiato na missão? Scotty, encontrado há 20 minutos numa fossa espacial torna-se de uma hora para outra o engenheiro mais importante da ponte? Kirk é lançado num planeta gelado, tropeça numa caverna e encontra o velho Spock (how convenient!).

Aliás, a decisão de Spock (Zachary Quinto) de expelir o futuro capitão para um planeta afastado é no mínimo absurda. Mais lógico seria isolá-lo na área de detenção. Na história da frota, nem os articuladores dos mais violentos motins a bordo foram ejetados – até o terrível Khan foi poupado deste castigo.

No final, a impressão que ficou (para mim) é que J.J. Abrams poderia ter dirigido um filme maravilhoso alterando coisas simples. Com isso, ele faria uma aventura como nenhuma outra, e manteria viva a personalidade de nosso querido Spock, além de salvar o valoroso planeta Vulcano na aniquilação final.

A ideia do universo alternativo é preguiçosa, de alguém que simplesmente não quer se comprometer: “posso fazer o que quiser que nenhum fã maluco poderá me questionar”. Faltou coragem de dar a cara a tapa e paciência de sentar e bolar uma história coerente como tudo o que já foi feito anteriormente sobre Star Trek.

Se você for capaz de abstrair isso (o universo paralelo), coisa que eu não fui, garanto que vai se divertir um bocado.

Aplausos vigorosos para o elenco (todos estão muito bem), equipe de efeitos especiais, trilha sonora, direção de arte, maquiagem, edição e figurino.

MUDANDO DE ASSUNTO

Para quem ficou interessado no RPG de “A Batalha do Apocalipse, rolou neste fim de semana um jogo fechado, para preparar os mestres para a grande jogatina, que será aberta a todos. Várias regras foram mexidas. Ainda esta semana posto aqui as modificações e o download para o livro 0.2.

sábado, 2 de maio de 2009

A Batalha do Apocalipse RPG – Versão 0.1

Começam no final deste mês as sessões de playtest do RPG baseado no romance “A Batalha do Apocalipse. O jogo será distribuído gratuitamente pela internet, e estará aberto à colaboração de jogadores e mestres.

A edição prévia do livro de regras já está disponível online, para quem quiser testar. Em breve darei upload de um segundo livro, com a ambientação e o cenário.

Atenção à advertência. O jogo ainda está incompleto e as regras, toscas. Justamente por isso, esta é a versão 0.1 - e não a 1.0. Trata-se apenas de um rascunho que precede o lançamento.

» Baixe aqui o livro de regras
» Baixe aqui a ficha de personagem

Clique no link para visualizar o pdf ou em “Save Target As”, com o botão direito do mouse, para baixar o arquivo.

Como este RPG foi desenvolvido para ser utilizado apenas por um grupo fechado (no caso, o meu), não nos preocupamos muito com a originalidade. O resultado foi um sistema que mistura regras do d20 System e da White Wolf.

Assim, convido todos a ler, jogar, criticar, dar idéias e melhorar o sistema. Para tal, podem usar os comentários do post, o tópico do Orkut (clique aqui) ou escrever diretamente para mim (eduardo.spohr@gmail.com).

Anunciarei no blog, no Orkut e no Twitter as datas dos jogos de teste. Se você quer participar, fique ligado! E para quem perguntou sobre o romance “A Batalha do Apocalipse”, tudo o que eu posso dizer por enquanto é que em breve teremos boas notícias. Aguardem :-)