domingo, 17 de maio de 2009

Wolverine x Star Trek – contém spoilers!

No início do mês, dois longa-metragens mega nerds deram as caras no cinema. Primeiro surgiu o nosso estimado mutante Logan, com suas garras afiadas e personalidade pouco agradável. Na seqüência, foi a vez de ‘Star Trek’, dirigido pelo cineasta mais geek do momento, J.J. Abrams.

Wolverine’ saiu e ainda está na frente nas bilheterias americana, britânica e brasileira. A comunidade nerd, entretanto, e os fãs de quadrinhos em geral, fizeram críticas pesadas à produção estrelada por Hugh Jackman, e elogios rasgados à nova aventura da Enterprise.

A minha opinião, acreditem, está mais alinhada ao mainstream. E justamente por ter tido uma percepção diferente à dos colegas nerds, decidi escrever este post. Afinal, sempre acreditei que essa é a função primária dos blogs: ser um espaço democrático em que cada um pode mostrar a sua visão, abrindo o assunto ao debate.

Antes de tudo, quero deixar claro que minha intenção não é desrespeitar opiniões diferentes e muito menos polemizar. Nunca fui um sujeito polêmico e não vejo motivo para tal. Aliás, penso que a maioria (não todos) daqueles que gostam de gerar polêmica o fazem porque não são capazes de aparecer pelo próprio talento. É lógico que há exceções.

Bem, vamos aos filmes. Lembre-se: CONTÉM SPOILERS!

X-MEN ORIGENS: WOLVERINE

De início, eu nem queria assistir ‘Wolverine’. Falaram tão mal que eu estava disposto a evitar as salas a todo custo. Mas num sábado de ócio, logo na estreia, acabei me rendendo e fui ao cinema.

Confesso que não guardava grandes expectativas, já que nunca havia lido um só quadrinho solo do Wolverine. Conhecia ele por meio das revistas dos X-Men, do desenho animado dos anos 90 e dos filmes.

O que eu esperava quando as luzes se apagaram era nada mais do que pancadaria, ação e a aparição especial de vários heróis, mesmo que rapidamente, que fizeram parte do passado de Logan. E foi EXATAMENTE isso o que eu encontrei!

Como jornalista e escritor, sei como é importante trabalhar um bom roteiro. Mas algumas vezes você simplesmente prefere (ou necessita) desligar o seu cérebro e ingressar por duas horas em um mundo de porradaria insana. O resultado é um filme divertidíssimo, que te gruda na cadeira do início ao fim e quase não te dá chance de respirar.

Entenda que, nesse tipo de blockbuster, você não pode se preocupar muito se o roteiro tem furos ou incoerências. É a filosofia “Indiana Jones 4: o cara se tranca numa geladeira e resiste a uma bomba nuclear. Incoerente? Sim, mas quem se preocupa?

Hugh Jackman x Batman

O ponto alto é definitivamente a atuação de Hugh Jackman. Ele rouba a cena e cria um personagem tão forte que eclipsa tanto coadjuvantes quanto vilões.

O Wolverine de ‘Origens’ é certamente o super-herói mais bacana e durão do cinema atual, fazendo Batman de ‘Dark Night’ parecer uma moça. Ao explodir o helicóptero e matar o Agente Zero a sangue frio, Gavin Hood (diretor) faz o que nem o psicótico Homem-Morcego teve coragem de fazer em ‘O Cavaleiro das Trevas’.

É fato que a ação atropela o roteiro, e esse detalhe foi o que fez muita gente detestar ‘Wolverine’. Mas é possível, sim, tomar isso como uma coisa boa. Uma cena emblemática é a luta entre Wolvie e Blob. É claro que haveria muitas outras maneiras de Logan conseguir a informação que procurava. Mas qual, em um filme de ação como esse, seria melhor do que entrar no ringue e partir para a briga?

Aos que ainda não assistiram, a dica é essa: preparem-se para ver muita pancadaria, aventura e ação. Aos que já assistiram e não gostaram, recomendo revisitarem a obra quando sair em DVD, com uma nova mentalidade. Aos que, como eu, assistiram e gostaram, fico feliz que tentam saído satisfeitos do cinema.

» Fotos da coletiva de imprensa com Hugh Jackman, no Rio

STAR TREK

Se você é um espectador comum, primeiro entenda o seguinte. Eu sou um fã chato de Star Trek, e às vezes até um pouco radical (olha o Kirk aí no header). Isso quer dizer que não sou parâmetro para o público em geral. Continue lendo por sua conta e risco.

Analisando friamente, Star Trek é um bom filme, não tem como negar. Se você não é fã antigo, provavelmente vai adorar. Mas para um fanático pela série clássica, como eu, a produção decepciona, por vários motivos.

Agora vem uma opinião muito particular: não engoli até agora a premissa. Fui ao cinema esperando ver os personagens que aprendi a gostar, e no entanto me deparei com uma tripulação “alternativa”, de um universo paralelo, onde eventos que por anos consideramos como certos simplesmente não aconteceram. Novamente: tudo é expectativa.

Os entusiastas que me desculpem, mas para quem passou décadas com a imagem lógica, fria e calculista de Leonard Nimoy é um pouco difícil aceitar um Spock raivoso, impulsivo e apaixonado (???). Além disso, a destruição de Vulcano é um sacrilégio.

Coincidências e incoerências

A bizarra série de coincidências no roteiro também incomoda. Tudo acontece muito rápido, sem explicação. Numa nave com 500 pessoas, o único apto a comandar a Enterprise era logo o jovem Kirk, que passava por problemas na frota e entrou de gaiato na missão? Scotty, encontrado há 20 minutos numa fossa espacial torna-se de uma hora para outra o engenheiro mais importante da ponte? Kirk é lançado num planeta gelado, tropeça numa caverna e encontra o velho Spock (how convenient!).

Aliás, a decisão de Spock (Zachary Quinto) de expelir o futuro capitão para um planeta afastado é no mínimo absurda. Mais lógico seria isolá-lo na área de detenção. Na história da frota, nem os articuladores dos mais violentos motins a bordo foram ejetados – até o terrível Khan foi poupado deste castigo.

No final, a impressão que ficou (para mim) é que J.J. Abrams poderia ter dirigido um filme maravilhoso alterando coisas simples. Com isso, ele faria uma aventura como nenhuma outra, e manteria viva a personalidade de nosso querido Spock, além de salvar o valoroso planeta Vulcano na aniquilação final.

A ideia do universo alternativo é preguiçosa, de alguém que simplesmente não quer se comprometer: “posso fazer o que quiser que nenhum fã maluco poderá me questionar”. Faltou coragem de dar a cara a tapa e paciência de sentar e bolar uma história coerente como tudo o que já foi feito anteriormente sobre Star Trek.

Se você for capaz de abstrair isso (o universo paralelo), coisa que eu não fui, garanto que vai se divertir um bocado.

Aplausos vigorosos para o elenco (todos estão muito bem), equipe de efeitos especiais, trilha sonora, direção de arte, maquiagem, edição e figurino.

MUDANDO DE ASSUNTO

Para quem ficou interessado no RPG de “A Batalha do Apocalipse, rolou neste fim de semana um jogo fechado, para preparar os mestres para a grande jogatina, que será aberta a todos. Várias regras foram mexidas. Ainda esta semana posto aqui as modificações e o download para o livro 0.2.

sábado, 2 de maio de 2009

A Batalha do Apocalipse RPG – Versão 0.1

Começam no final deste mês as sessões de playtest do RPG baseado no romance “A Batalha do Apocalipse. O jogo será distribuído gratuitamente pela internet, e estará aberto à colaboração de jogadores e mestres.

A edição prévia do livro de regras já está disponível online, para quem quiser testar. Em breve darei upload de um segundo livro, com a ambientação e o cenário.

Atenção à advertência. O jogo ainda está incompleto e as regras, toscas. Justamente por isso, esta é a versão 0.1 - e não a 1.0. Trata-se apenas de um rascunho que precede o lançamento.

» Baixe aqui o livro de regras
» Baixe aqui a ficha de personagem

Clique no link para visualizar o pdf ou em “Save Target As”, com o botão direito do mouse, para baixar o arquivo.

Como este RPG foi desenvolvido para ser utilizado apenas por um grupo fechado (no caso, o meu), não nos preocupamos muito com a originalidade. O resultado foi um sistema que mistura regras do d20 System e da White Wolf.

Assim, convido todos a ler, jogar, criticar, dar idéias e melhorar o sistema. Para tal, podem usar os comentários do post, o tópico do Orkut (clique aqui) ou escrever diretamente para mim (eduardo.spohr@gmail.com).

Anunciarei no blog, no Orkut e no Twitter as datas dos jogos de teste. Se você quer participar, fique ligado! E para quem perguntou sobre o romance “A Batalha do Apocalipse”, tudo o que eu posso dizer por enquanto é que em breve teremos boas notícias. Aguardem :-)

sábado, 25 de abril de 2009

Matrix – Ensaios para o Novo Milênio

Monografia sobre o longa dos irmãos Wachowski

Desde o Nerdcast 156 - Matrix Repercutions, tenho recebido alguns emails de nerds curiosos sobre a monografia que fiz sobre o primeiro filme da série. Para facilitar, disponibilizo o trabalho aqui para download, para quem ainda estiver interessado.

» Clique para fazer o Download

Mas, atenção! Cuidado com as expectativas. Este é um trabalho universitário, com uma linguagem acadêmica e cheio de referências a autores restritos ao curso de Comunicação – não é nem dinâmico nem tão divertido quanto um NerdCast.

Na monografia, abordo principalmente o contexto histórico do filme, falando da pós-modernidade, do fim da ideologia e do comportamento da sociedade no começo do século XXI. Disserto também sobre a luta do indivíduo pelo discurso próprio no meio virtual, e encerro fazendo uma comparação da Matrix com a mídia, a inteligência superior e coletiva dos dias de hoje.

Para alguns que perguntaram, ‘Matrix – Ensaios para o Novo Milênio’ não chega a tocar no tema da Jornada do Herói. Mas para quem estiver interessado, volto a recomendar o livro ‘A Jornada do Escritor’, que pode ser encontrado para compra na Fnac (clique aqui para acessar a página).

Por fim, peço desculpas pelos eventuais erros de português que o documento possa ter. Entreguei o trabalho às pressas numa manhã de dezembro de 2000, e nunca cheguei a revisá-lo realmente. Mas felizmente consegui passar :-)

Espero que gostem!

sábado, 4 de abril de 2009

Discos voadores, cinema e cultura pop dos anos 50

Discos voadores, ETs, abduções alienígenas e ufologia em geral são assuntos freqüentemente discutidos em rodas de conversa da comunidade nerd.

Pessoalmente, sempre fui fascinado pelo tema, um tópico tão amplo que seria impossível de ser abordado num único post. Por isso, preferi ser sucinto e, em vez de escrever muito, utilizar links e hipertexto para expandir o artigo.

Outro dia eu estava revendo um episódio do Arquivo X (‘O Ser do Espaço’, 1ª temporada) e me lembrei que certa vez aluguei uma série de filmes de discos voadores dos anos 50 e os assisti em seqüência.

É uma coisa que todo nerd gosta de fazer, e pensando nisso resolvi dividir a minha experiência e compartilhar um pouco do que eu aprendi nessas sessões insanas povoadas por monstros gigantes e aliens gosmentos.

A ERA NUCLEAR

A questão nuclear está quase sempre presente nos filmes de discos voadores da década de 50.

Muitas vezes os ETs eram atraídos ou despertados por atividades atômicas; em outras, eram alimentados por radiação. Não raro, os governos usavam armas nucleares para expulsar os invasores e há também histórias em que alienígenas bonzinhos vinham à Terra alertar os seres humanos para os perigos que corriam (com a manipulação dessa nova tecnologia).

COMEÇANDO...

Como você pode começar a mergulhar nesse universo sideral? Primeiro, entre de sócio para uma boa locadora. No Rio, indico a Paradise Vídeo, em Copacabana. Em Sampa, me recomendaram a 2001, na Av. Paulista.

Em seguida, tenha uma coisa em mente. Você está vendo filmes antigos. São legais, mas é importante entender que o ritmo é outro, a trama é em geral mais inocente e os efeitos, mais toscos. Portanto, se você quer entrar nessa, tem que relaxar para poder se divertir.

SEIS FILMES IMPERDÍVEIS

A película essencial, que é um marco para os filmes de ETs, é O Dia em Que a Terra Parou’, de 1951 (esqueça o de 2008). Ainda em preto e branco, apresenta um extraterrestre bondoso e explora a tensa situação política mundial no auge da Guerra Fria.

Em seguida, assista A Guerra dos Mundos’, de 1953, baseado no romance do mestre H.G. Wells. Pela primeira vez, os aliens aterrissavam na Terra em Technicolor, o que passou a ser uma marca dos filmes do gênero.

A cor era um diferencial comparável aos efeitos especiais de hoje em dia: não garantia uma boa história, mas ajudava a atrair jovens ao cinema – e os jovens eram justamente o público alvo dessas produções.

A seguir, em 1956, outra película clássica foi exibida: A Invasão dos Discos Voadores’ (‘Earth vs. the Flying Saucers’), que contava com as criaturas animadas por Ray Harryhausen (quem não se lembra de ‘Fúria de Titãs’, 1981?).

A técnica de filmar monstros em stop motion (ou quadro a quadro) de Harryhausen deixou os fãs de ficção científica malucos, o que abriu espaço para mais filmes no estilo.

Falando em Ray Harryhausen, também é importante assistir O Monstro do Mar Revolto’ (‘It Came from Beneath the Sea’, 1955) e A 20 Milhões de Milhas da Terra’ (‘20 Million Miles to Earth’, 1957). Embora não sejam exatamente sobre alienígenas, esses filmes captam com perfeição a atmosfera “terror espacial” sobre o qual estamos falando.

Para finalizar, destaco a produção O Horror Vem do Espaço’ (‘Fiend Without a Face’, 1958). Este é um filme de nacionalidade britânica, mas cuja trama se passa em uma base militar nos Estados Unidos.

Apesar de ser um dos mais recentes da leva, foi filmado em PB e, confesso, é um dos que eu mais gosto, talvez por seu caráter histórico. Radiação, perseguição política e Guerra Fria em pauta.

Embora eu esteja esquecendo de muuuuuuuuuuuuita coisa, acho que experimentar esta seleção pode ser uma boa maneira de começar.

Se você, nerd, tiver algum outro bom filme de invasão ou destruição alienígena para recomendar (não precisa ser só dos anos 50), sinta-se à vontade para fazê-lo.

Os pacifistas que me desculpem, mas ainda acho que o melhor a fazer é guardar algumas bombinhas atômicas para o caso de uma invasão. Sempre melhor prevenir :-)

TRAILERS

» O Dia em Que a Terra Parou
» A Guerra dos Mundos
» A Invasão dos Discos Voadores
» O Monstro do Mar Revolto
» A 20 Milhões de Milhas da Terra
» O Horror Vem do Espaço

LINKS

» Nerdcast 112a
» Nerdcast 112b
» Paradise Vídeo
» 2001 Vídeo

MATÉRIAS

» Vídeos mostram registros de ETs
» Conheça os casos mais famosos do Brasil
» ETs são amigos ou inimigos?

sábado, 21 de março de 2009

D&D 3ª Edição – House Rules

O primeiro post que eu publiquei neste blog foi uma brincadeira sobre a 4ª edição. A piada acabou rendendo no Twitter, e eu prometi que escreveria um texto com as “regras da casa” que uso nos meus jogos de D&D 3. Para os RPGistas, vale ler. De repente serve para alguma coisa.

Antes, quero dizer que não desgosto da 4ª edição. Meu problema com ela, sinceramente, nem são as regras, mas o conceito. Os personagens se tornaram mais poderosos, porém muito uniformes e previsíveis. Gosto da versatilidade do D&D 3, do leque de magias, das classes múltiplas.

A 4ª edição modificou um conceito de construção de personagem que remontava à primeira caixa, lá nos anos 70, e que eu considero uma marca fundamental do Dungeons & Dragons. Por outro lado, entendo que esse novo sistema tenha agradado a nova geração, fanática pelos MMORPGs.

Bom, chega de papo furado. Sei que ninguém está interessando na minha opinião, mas no conjunto de “house rules” que talvez possa usar. Vamos lá. Se eu esquecer de alguma coisa, acrescento depois nos comentários.

D&D 3.0 OU D&D 3.5?

Uso uma mistura dos dois. Na verdade, são bem parecidos. Utilizo o 3.0 como base, mas prefiro as classes do 3.5 (o ranger da 3.0 não dá). Aceito também todos os feats. A única coisa que me impede de adotar integralmente o 3.5 é que só comprei o Player’s Handbook e achei desnecessário adquirir os demais livros.

CRIAÇÃO DE PERSONAGEM

→ Atributos: Tenho trauma com essa parada de rolar dado. Já tirei números horríveis na época em que jogava AD&D, então aboli. Faço assim. Comece todos os atributos com 8 e distribua mais 32 pontos. Simples, rápido, funciona.

→ Fighter: Vamos acrescentar as skills Intimidate (a 3.5 já acrescenta) e Knowledge (Nobility and Royalty) para os pobres coitados. Como eles vão identificar as heráldicas de casas nobres e brasões de exércitos sem isso?

USANDO MINUATURAS

Eu adoro miniaturas! Coleciono e tenho várias aqui em casa. Adoro usá-las em meus jogos. Contudo, sou contra o uso ostensivo das miniaturas.

De fato, eu as uso apenas para visualizar a POSIÇÃO dos heróis e dos monstros na área de combate. Não utilizo mapas com squares (também chamado de “hexágonos”, em português).

Pessoalmente, sempre gostei de narrar o combate em três dimensões, e não em duas - mais na imaginação e menos no mapa. Quero ter a liberdade de fazer com que um herói leve uma patada de um dragão e seja jogado para longe (aí eu empurro a miniatura lá para a ponta da mesa). Isso, por exemplo, é impossível fazer com as rígidas regras de movimento dos hexágonos.

Além disso, acho o uso de squares uma coisa bem chata. Meu estilo é: esqueçam os mapas, fechem os olhos e imaginem o cenário em suas mentes.

Talvez, por isso, eu nunca tenha aceitado muito bem a regra dos ataques de oportunidade, o que nos leva ao próximo tópico.

ATAQUES DE OPORTUNIDADE

Está aí a regra mais controversa da terceira edição. Tem muita gente que acha que deu um certo realismo ao jogo. Eu acho uma idiotice, que só complica. Aboli totalmente os ataques de oportunidade dos meus jogos e tomei por base o que li no Star Wars (a primeira edição para d20) e no Call of Cthulhu d20.

Mas como remover uma regra que se tornou uma das mais marcantes da 3ª edição? Siga os passos:

→ Movendo-se na área ameaçada: Mais uma coisa feita para complicar. Regra da casa é simples. Passou ao lado de um inimigo, atravessando a área, levou um ataque dele, supondo que o adversário tenha ataques para isso (e não esteja enfrentando um outro oponente). Deu as costas pro monstro, vai tomar um ataque também. Era assim na 2ª edição e funcionava direitinho. Com a 3ª funciona também.

→ Lançando um encanto: Outra coisa lógica. Se você está fazendo um spell, não pode atacar. O inimigo te ataca e você não tem bônus de destreza no AC. Se acertar, role Concentration para saber se manteve a magia. Pra que opportunity?

→ Armas de distância no corpo-a-corpo: Mesma coisa do que no caso do spell. Mas tem o seguinte também. Deixo o jogador rolar o primeiro tiro em melee. Depois, ele tem que largar o arco / besta. Não dá para você puxar um arco e mirar com um sujeito do seu lado te dando espadadas. Não existe isso.

Lembre-se que, em todos os casos acima, o inimigo só pode te agredir livremente se tiver ataques para isso e se não estiver em combate com um aliado seu, o que deveria distraí-lo. O mesmo vale para situações diversas em que o personagem “baixa a guarda” (beber poção, ajudar um amigo, etc.). O adversário não ganha um ataque “extra”, mas apenas pode atacar livremente quantas vezes tiver direito naquele round, desconsiderando o bônus de AC do herói.

→ Ataque desarmado: O atacante armado NÃO ganha mais ataque de oportunidade contra você, esqueça isso. Já é suficiente a desvantagem que você tem ao dar apenas 1d3 de dando SUBDUAL.

→ Feats: Para os feats que livram os personagens de sofrer ataques de oportunidade em uma determinada ação (Improved Bull Rush, Improved Disarm, Sunder), dê +2 de bônus ao herói naquela determinada ação. Outros feats, abaixo.

Improved Unnarmed Strike: 1d6 de dano normal (não subdual).

Combat Reflexes: Ganhe um ataque extra contra um oponente que deixar a guarda aberta.

Mobility: +1 AC.

ARMOR CLASS

Outra coisa que me incomoda no D&D 3.0 / 3.5 é a FACILIDADE com que os heróis são acertados. As armaduras praticamente não servem para nada. Os bônus de ataque cresceram muito do AD&D para o D&D 3, e as estatísticas de AC permaneceram as mesmas.

Considere dois guerreiros de nível 3 (nível baixo) vestidos com cota de malhas (uma armadura que na Idade Média era bem respeitada). Os guerreiros têm força 15 (média), foco em arma e AC 15. Seu bônus de ataque é +6 (faça as contas). Eles precisam tirar apenas “9” no dado para se atingirem. E olha que são uns bostas.

Outro exemplo. Dois guerreiros de nível 12 com full plate + escudo (AC 20) se acertam, em média, com “4”.

Para resolver isso, elaborei umas pequenas regras que podem ajudar.

Feats

Dodge: Dá +1 no AC contra todos os oponentes, não apenas com um único selecionado.

Mobility: +1 no AC. Acumulando com Dodge (pré-requisito), +2 total.

Foco em armadura: Novo feat, adaptado de um livro não oficial. Escolha um tipo específico de armadura (como chain mail ou full plate) e ganhe +2 no AC quando a estiver vestindo. O personagem deve ser proficiente na armadura (lógico) e ser de nível pelo menos 6.

Elmos

Por essa regra, os elmos e as armaduras são peças distintas. Os elmos dão bônus EXTRAS no AC, mas pioram os testes de spot e listen, segundo a seguinte tabela:

Máscara de couro rígido: +1 contra corte / -1 testes de audição

Capuz de cota metálica: +1 contra corte e perfuração / -2 nos testes de audição e -1 nos testes de visão

Capacete de metal: +1 contra corte, impacto e perfuração / - 1 nos testes de visão audição

Elmo de rosto aberto: +1 contra corte, impacto e perfuração / - 2 nos testes de audição e -1 nos testes de visão

Elmo de rosto-fechado: +1 contra corte, impacto e perfuração / - 3 nos testes de visão audição

Grande elmo (o famoso "balde"): +1 contra corte, e perfuração, +2 contra impacto / - 3 nos testes de audição e –4 nos testes de visão

Se eu esqueci de alguma coisa ou não me fiz entender, me avisem que a gente vai debatendo.

Se alguém testar as regras e der certo, me diga. Se alguém achar uma droga, avise também. Aproveitem o espaço para acrescentar as suas regras. Talvez eu possa também aprender com idéias novas e usá-las em minhas aventuras.

Vida longa aos RPGistas!

PS: As imagens deste post são de autoria do desenhista Keith Parkinson, meu artista favorito de fantasia.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Os testes atômicos mais insanos da história


A bomba atômica é um assunto que sempre me fascinou (e não estou sozinho). Não é para menos. Sempre imaginei o arsenal nuclear como a arma definitiva da humanidade. Tudo mudou depois que o homem descobriu que podia apertar um botão e destruir o planeta.

No carnaval de 2004 eu e Bluehand nos encontramos na casa do Azaghal para jogar conversa fora (já viu nerd pular carnaval?) e o garoto levou um DVD assustador, só com vídeos de testes nucleares. Ficamos fascinados com o potencial de destruição das bombas, mesmo já sabendo o estrago que um brinquedinho desses faz quando cai.

Outro dia (noite), navegando no YouTube, descobri que a maioria desses vídeos está agora online. Não deu outra: acabei indo dormir só lá pelas 3 da manhã.

Guardei os links, lógico, para compartilhar com quem tenha interesse, e dei uma reciclada nos meus estudos sobre cada filmagem.

Uma das mais impressionantes é a que mostra a detonação da bomba russa Czar. Esta belezinha foi projetada para suportar uma carga de até 100 megatons, mas o teste foi feito “só” com 50. Pra você ter uma idéia, a bomba que caiu em Hyroshima tinha menos de 1 (um) megaton!

O projeto foi posto para escanteio porque os cientistas constataram que a energia destrutiva de uma bomba com mais de 30 megatons poderia queimar (e destruir) a atmosfera. Se liga neste gráfico.


Outro vídeo incrível é o do canhão nuclear. Essa arma (parece um canhão comum) seria utilizada em um campo de batalha, para atacar um exército inimigo a uma distância mais ou menos pequena. Lançava um projétil que continha uma ogiva de potencial razoável. A gravação é impressionante. O canhão dispara, e em segundos você vê o cogumelo à distância, no deserto. Stunning!

Destaque também para uma curta compilação de explosões submarinas e para uma fita de orientação (lembra até os vídeos da Dharma) do governo estadunidense sobre um teste nuclear levado a cabo em 1955.

Coisa de nerd? É! Mas é também história.

Termino este post recomendando fortemente dois filmes indispensáveis sobre guerra nuclear. Um deles é ‘The Day After’ (1983), que muita gente deve conhecer, e ‘Threads’ (1984), que mostra o que teria acontecido se houvesse um ataque atômico na Inglaterra.

Assista todos os vídeos:

domingo, 15 de março de 2009

‘Watchmen’ – impressionismo + videoclipe



Vocês já devem ter lido um milhão de resenhas sobre o mega-sucesso de bilheteria ‘Watchmen’. Comentar aspectos gerais da produção a esta altura do campeonato seria inútil. Também nem vale a pena perder tempo falando do Ozymandias, afinal a maioria de vocês já deve ter ouvido a minha opinião na leitura de emails do NerdCast 152.

Estendendo os comentários feitos no podcast, bato na tecla de que a linguagem usada por Zack Snyder – mistura de arte impressionista e videoclipe – representa uma tendência do cinema para o futuro.

O impressionismo nas artes plásticas chutou o balde do realismo e decidiu retratar mais as impressões sobre um determinado espaço do que a percepção nua e crua do que o olho captava. Ou seja, não importava a imagem em si, mas a impressão que você tinha dela.

Da mesma forma, obras como ‘Watchmen’ recriam o espaço à sua volta em favor da necessidade do filme, em detrimento à realidade. Por que fazer uma filmagem aérea da cidade se você pode recriá-la no computador?

Assim, a impressão que fica é que aquela Nova York não é bem uma cidade real, que experimentamos com os nossos sentidos, mas uma reprodução onírica do mundo em que estamos vivendo agora.

'300' e ‘Sin City’ são outros exemplos desta tendência, por questões lógicas. Mas, veja, há um lampejo disso também em ‘Gladiador’, que reproduziu um Coliseu muito mais espantoso do que foi na verdade - quem já esteve em Roma sabe que as proporções do teatro são impressionantes, mas não como mostradas no longa de Ridley Scott.

No outro extremo, a velocidade dos videoclipes dá o ritmo ao filme, não só nas cenas de ação. Transforma a obra numa verdadeira peça audiovisual, misturando imagem, som e efeitos sonoros numa sinfonia perfeita, também com seus momentos de lentidão, como num concerto.

Se a tendência cinematográfica reproduzida por Snyder em ‘Watchmen’ vai pegar ou não, é uma coisa que só o tempo e o público podem dizer. Fico pensando o que será que Claude Monet diria disso tudo.

domingo, 8 de março de 2009

Genocídio misterioso atinge mundo de fantasia

CIDADE DE GREAYHAWK (Rooters), 13 de junho - Um genocídio misterioso se abateu sobre todo o mundo de Greyhawk no último sábado, 7.

Do dia para a noite, todos os bárbaros, druidas e bardos simplesmente desapareceram. Aldeias inteiras no Norte gelado foram obliteradas; conclaves druídicas cessaram de existir e companhias de artistas ficaram sem seus músicos!

Os magos estão investigando o sumiço, que coincide com a aparição de curiosos feiticeiros que se autodenominam "Warlocks".

Segundo as últimas informações passadas por viajantes de naves Spelljammer, este não é um fenômeno isolado de Oerth. Vários planetas dentro e fora do Phlogiston também sofrem com esta terrível calamidade. Ainda não se sabe se os bárbaros, druidas e bardos estão realmente mortos.

Alguns especulam que eles podem retornar aos planos conhecidos dentro de "alguns meses".

BIGBY JÁ FALA EM "INTERVENÇÃO DIVINA"

O famoso arquimago Bigby (‘Bigby’s Interposing Hand’, ‘Bigby’s Forceful Hand’), do Círculo dos Oito, acredita em intervenção divina no caso do desaparecimento.

“Um evento desta magnitude não pode ser resultado de um simples feitiço, mesmo que poderoso, e nem da ação de grupos ou pessoas, vivas ou mortas”. Já o seu antigo mestre, Mordenkainen (‘Mordenkainen’s Faithful Hound’, ‘Mordenkainen Disjunction’), vai além.

“Se for intervenção divina, não trata-se dos deuses deste mundo. O próprio Kord, deus dos bárbaros, disse desconhecer a origem do fenômeno”.